ERA PAULO INFLUENCIADO PELO
GNOSTICISMO GREGO?
GNOSTICISMO GREGO?
Acreditar que o
apóstolo Paulo seja influenciado pelo pensamento helênico, do ponto de vista
ideológico, e pelo pensamento judaico-farisaico, do ponto de vista religioso,
parece-me estar alicerçado numa pré-concepção de índole liberal que privilegia
– sob determinado aspecto – o Determinismo Naturalista. Ou seja, Paulo não
poderia deixar de ser influenciado pelo Zeitgeist em que estava inserido.
O credo
liberal prossegue: na medida em que todos os setores da existência humana
trazem como um traço distintivo as influências determinantes do contexto
social, conscientes ou inconscientes, sobre a singularidade existencial
de um indivíduo, por que não aceitarmos como sendo razoável a opinião de
que Paulo apresente em seus ensinamentos algo no âmbito gnosio-lógico que seja
o resíduo do gnosticismo grego? Se acreditarmos que os dados do Sitz im
Leben – fornecidos pela Historiografia – em que Paulo produziu seus
ensinamentos correspondem à Realidade, a resposta parece simples. Se, porém,
questionarmos os critérios adotados pela Metodologia Crítico-Historiográfica, a
resposta merece, no mínimo, uma suspensão céptica, porquanto é extremamente
questionável a suposta neutralidade da objetividade científica em qualquer
domínio do saber.
Parece-me
ser mais razoável reconhecer que a ΓΝΩΣΙΣ grega, através de suas duas
vertentes: a mística e a racional, não encontra em Paulo um espaço de atuação,
porquanto está associada a uma concepção de que a ΣΩΤΗΡΙΑ dependa da ΓΝΩΣΙΣ do
mundo divino, que só poderia ser propiciada através da iniciação. Na doutrina
de Paulo, Cristo é a ΓΝΩΣΙΣ ΤΟΥ ΘΕΟΥ dissociada da ΓΝΩΣΙΣ ΤΟΥ ΚΟΣΜΟΥ.
Dissociação esta que, opondo-se à crença de que a iniciação aos mistérios
gnósticos seja um meio de salvação, atribui a Cristo – e não à ΓΝΩΣΙΣ – o poder
soteriológico. A ΣΩΤΗΡΙΑ a que Paulo se refere encontra somente em Cristo a sua
razão de Ser. A ΓΝΩΣΙΣ dos gnósticos não pode conferir, segundo Paulo, a
graça redentora, pois pré-supõe a necessidade de ritos de penitência como
instrumento de disciplina do espírito, ancorando-se fragilmente em uma ΠΙΣΤΙΣ
estranha à ΠΙΣΤΙΣ ΤΩΙ ΧΡΙΣΤΩΙ.
Acreditar
que Paulo seja influenciado pelo gnosticismo grego parece ser a conseqüência
lógica da crença liberal, que atribui, de certo modo, à Metodologia
Crítico-Historiográfica um estatuto de validade inquestionável, o qual
propicia, segundo as inclinações idiossincrásicas do sujeito cognoscente,
conclusões, crenças, teses, hipóteses ou opiniões que, na melhor das hipóteses,
talvez se aproximem da Realidade. Conclusões, crenças, teses, hipóteses ou
opiniões devem – historiográfica e criticamente também – corresponder às suas
próprias definições. Caso contrário, corre[re]mos o risco de ter a Metodologia
Crítico-Historiográfica como um objeto de fé. Nesse sentido, seu cânone de
instrumento dogmático para a tentativa de controle das Sagradas Escrituras será,
pelo menos, indiferente, para não dizer adverso, à ideia de que Paulo rejeita a
doutrina gnosticista.
Z H P L K S II.
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